domingo, 12 de julho de 2015

Apatia



O que fazer quando se olha pra frente e tudo que enxerga é uma neblina densa a dois palmos?
Ou quando você olha para o lado e vê que não sobrou ninguém para ouvir suas histórias, suas frustrações ou te orientar?
E quando você olha pra trás, vê que o caminho percorrido foi engolido por um buraco que foi criado por cada ferida, desapego e sentimento que você abandonou?

O que fazer quando seu rosto congelou e sorrir se torna cada dia mais difícil?
Ou quando as palavras morrem por falta de interesse de serem criadas, e quando são proferidas elas não são verídicas?
E quando você olha pra dentro vê uma sombra te olhando de volta, esperando paciente pelo dia em que tomará o controle de sua mente e teus atos se tornarão uma incógnita?

O que fazer quando você não se permite sonhar, viver e tão pouco morrer?
Ou quando a dor existencial é a coisa mais real que você consegue provar?
E quando os medos vencem toda sua ousadia, o seu idealismo e a sua generosidade?

O que fazer quando não restou mais nada para amar?
Ou quando você acorda pensando no porquê de ter que fazer isso todos os dias, se você poderia muito bem dormir por uma semana que ninguém daria falta da sua apatia?
E quando você se entrega aos pensamentos obscuros minutos antes de dormir, ou mesmo acordada durante o serviço, na higiene matinal ou em uma roda de colegas?

O que fazer quando a realidade em si é vazia?
Ou quando nas pessoas você não mais acredita?
E quando a música toca você não sente mais a melodia?

 O que fazer?