quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Como uma árvore



     Abrirei meus braços hoje, esperando que tudo o que acumulei nesses últimos dias saiam através de meus dedos.
     Tem dias que eu me sinto como uma árvore.
     Meus dedos são folhas e conseguem liberar todo esse veneno que contamina minha raiz que fica localizada no meu coração.
     Não faço fotossíntese, mas absorvo luz do mesmo jeito.
     Queria exalar paz, mas não achei a química correta em mim.
     Enquanto isso eu espalho meus frutos. Esses nascem num espaço infinito da minha mente e os transformo em música, poesia e expressão.
     Algumas vezes meus frutos estão murchos e frágeis. Algumas pessoas os pegam e ficam felizes em saber que todo mundo sem querer produz algo incompleto.
     Outras vezes eles nascem vibrantes e suculentos. Algumas pessoas saboreiam a empatia e vão embora satisfeitas.
     Porém assim como as árvores reais, eu também tenho o homem como meu maior predador.
     Alguns tentam me podar e acabam fazendo demais, me machucando.
     Outros envenenam minha raiz, tentando me proteger das pragas da vida.
     E eu tenho que continuar firme, mesmo sabendo que existem coisas que eu não posso me proteger.
     E encontro pessoas que me abraçam sem motivo. Muitas vezes sabendo que eu não irei retribuir, mas me tratam com carinho. Regam-me com lealdade e passam dias agradáveis sob a minha sombra.
     Algumas dessas pessoas decidem virar árvore também e logo passamos momentos inesquecíveis em nossa pequena floresta.
      É, acho que um dia desses as flores irão ser levadas ao vento e talvez eu possa ser árvore em outro lugar e ser a sombra para outra pessoa. Talvez meus frutos ganhem novos sabores e minha raiz uma fonte límpida para se alimentar. 
     Tem dias que me sinto árvore...