quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O tédio me consome

Você não consegue ver como o vento bate na minha roupa, expondo novos contornos do meu corpo,
ou como meus olhos brilham quando o sol ilumina-os em cheio.
Também não percebe como eles sorriem quando notam você, mesmo quando meu rosto expressa outra coisa.
E a vida vai se tornando menos promissora...

O barulho da civilização é abafado pelos meus pensamentos que nem sempre são coerentes.
E minha mente me seduz para um mundo que não é meu, mas que parece ter mais a me oferecer.
Você também não consegue ver como seus braços foram feitos para prender meu corpo ao seu, como duas peças que se combinam perfeitamente e só você poderia me soltar.
E a vida vai se tornando mais cinza...

E o tédio me consome.
As mesmas ladainhas, as mesmas tragédias, a tragédia da vida!
O mesmo rumo, mas eu não quero tomar, porém estou entediada e anulada.
Minha mente oferece o entretenimento que eu quero, o reconhecimento que acho que mereço e até mesmo você.
Logo você que não percebe que sou eu quem te espera, na minha eterna vigília por alguém que não existe.
E a vida se torna mais depreciável...

E a minha mente torna você real. Torna tudo isso real.
Até mesmo nossas brigas, a dor, a solidão e meus sonhos.
Essa constante agonia de insignificância que eu poderia sentir não significa mais nada quando a realidade está distante.
É a minha realidade que abandono, mas ela me parece tão entediante.
E a vida se torna mais entorpecida...

E o tédio me consome.
Ele me consome como se eu fosse uma bebida barata!
Tirando a minha vontade de ser algo que eu queria e eu fico imaginando como seria se um dia eu tivesse tido coragem.
Mas eu tive! E me abato ao lembrar do que sonhei um dia tornar realidade.
Me debato, me segurando em minha teimosia para não ser arrastada nesse mar de rejeição.
Eu vejo pessoas partidas, eu vejo protagonistas, eu vejo tudo... Mas estou cansada.

Você não consegue ver como o vento bate nos meus cabelos me fazendo sentir refrescada num dia de verão,
aliviando não só o calor, mas também um fardo mental.
Você não consegue medir a profundidade de meus pensamentos apenas vendo os meus olhos.
Se olhá-los de perto você veria a realidade que é minha e desejaria permanecer em minha mente.
Se você se entediasse como eu, seríamos dois sonâmbulos vivendo toda a nossa glória em pensamentos sem se importar com mundo lá fora.

 E a vida se tornar mais onírica...