quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Teatro da Bruxa Falida


És vendida, sob medida
Fútil e vazia
Não caio mais em suas mentiras
Bruxa falida

Vieste da lama, esbanjando riqueza
Que nunca vira
Hoje está coberta de ouro
E mais pobre do que nunca.

Usurpasse o lugar de outra pessoa
És traiçoeira, és louca
À primeira vista faz bem para os olhos
À segunda vista faz mal para as almas

Maldizes aqueles que te conhece bem
Mas saiba que teu nome é maldito
Nunca trago em minha fala
Te tornasse a palavra mais horrível

Imunda, jogas sujo
Como toda bruxa má
Tens inveja, complexos
Manipuladora, sem reflexo

Suga a felicidade dos que lhe querem bem
Existência hedionda
Começaste praticando o mal
É o mal que tu respiras.

Teu veneno, no entanto
Não é fatal
Fazes barulhos, mas no fim
É só teatro

Teu espetáculo está chegando ao fim
Seu plano deu errado
A platéia já está se levantando
Deixaste a todos entediados.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Complex Idade


Estou infestada da cabeça aos pés
Ando esgotada, contando até dez
Estou atordoada em meio a tantos viés

Vertiginada, estraçalhada
Difusa, confusa
Divergente, indolente
Desfocada, sufocada

Não sei de nada, não me faço réu
Da minha desgraça, engasgo em meu fel
Tô toda errada, cega por um véu
Atormentada, solta ao léu.

Angustiada, bagunçada
Ansiosa, nervosa
Soturna, noturna
Sistemática, lunática

Tem uma ninhada na minha morada
Tirando o meu sono, acordada ,eu ressono
Tô uma bagaça, perdi minha graça

Só encarando os ônus, ainda sem bônus.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Sombras de Mim



Um espelho não reflete o que vejo
E o que vejo é uma imagem desconexa
Desconheço seus traços e sentimentos
Pois é miragem de um plano do além.

Ouço ruídos 
Ora risos, ora frívolos.

Ouço suspiros
Lânguidos, duros.

Não há mensagem por trás daquele olhar.
Não há promessas perdidas naqueles lábios.
Não há corrente passando entre seus pulmões
É tudo inútil!

Ândalo de um caminho torto
Vá te embora!
Seus lamúrios não serão bem vindos.

Penitente de pecados de outrora,
Já não há plateias
Pare de fingir!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Antigo Vulcão



Este corpo duro, solidificou
As labaredas se extinguiram.
O antigo vulcão mais uma vez se entregou
O vento se foi, como suas emoções.
Inerte e frio
Ele está lá
Esperando o silêncio
Se dissipar.

Mais uma vez
As chamas se levantam
Um combustível novo, sua ignição
E as labaredas dançam anunciando a chegada do verão
As cinzas são expelidas e espalhadas pelos oceanos, voando sem direção
Suas forças aumentam, numa estrondosa explosão sonora, rasgando falsa paz
Que um dia sonhou em alcançar. Sua fúria derrete as pedras que restaram dentro
Ou qualquer barreira que atrase seu fluxo supremo, pois dessas chamas, que tudo arrasa
É onde a vida irá se renovar. E o antigo se vai... Não sobrará nada... Leve tudo embora...
Está tudo podre. Lava que purifica, ira que vinga a natureza, faça brotar de novo sua pura beleza.